A ExpoPrint 2026 terminou, e para quem foi, seja atuando em um estande ou andando pelos corredores ficou uma mensagem inequívoca: o setor gráfico brasileiro não para de se reconfigurar. A feira não é só vitrine de máquina nova; é um termômetro de mudanças comerciais, tecnológicas e estratégicas que vão definir o mercado nos próximos anos. O que se viu na prática foi a consolidação de modelos híbridos de produção. Fornecedores tradicionais de máquinas offset como a Heidelberg e Koenig & Bauer mostraram offset com níveis de automação que reduzem setup e desperdício, além de maior eficiência energética e utilização de inteligência artificial. Paralelamente, as impressoras digitais para embalagem, rótulo e têxtil evoluíram em velocidade e diversidade de cura/secagem, permitindo produzir uma grande variedade de aplicações, inclusive impressões industriais em diferentes tipos de substratos.
O mesmo movimento observado na offset também aconteceu na flexo. Impressoras flexográficas estiveram presentes com avanços em automação de trocas de cilindros, sistemas de registro e controle de tensão de materiais, voltadas principalmente para competir em médias e grandes tiragens de embalagens e rótulos. Paralelamente, as impressoras digitais para rótulos e etiquetas demonstraram versatilidade em substratos adesivados, impressão de dados variáveis e acabamento integrado, consolidando-se como alternativa competitiva para pequenas e médias tiragens. Mesmo diante dos avanços das tecnologias digitais, não poderia deixar de citar a presença da serigrafia na Expoprint reforçando sua importância como uma das tecnologias mais versáteis da indústria gráfica. Aliada aos processos de DTF e sublimação ela continua sendo uma excelente alternativa também para a impressão de uma grande variedade de produtos. A complementaridade entre tecnologias é um fato: operações competitivas exigirão cada vez mais a integração entre processos tradicionais e digitais. E não se pode falar de produtividade e qualidade sem mencionar a diversidade de fornecedores de insumos e matérias-primas presentes na ExpoPrint, que ganharam espaço com soluções ecologicamente sustentáveis e que impactam diretamente o resultado final e a eficiência operacional. A evolução nos produtos apresentados mostrou que o ganho de produtividade não vem apenas do equipamento, mas também do que se utiliza nele. Para o gestor, isso significa que a escolha de matérias primas e insumos, independentemente da tecnologia de impressão adotada, deve ser tratada como decisão estratégica, não como commodity.
Um dos segmentos de destaque foi o de embalagens de papel, cartão e papelão ondulado incluindo soluções para sacolas, copos, impulsionados por demandas ambientais e regulatórias crescentes. A pós-impressão ganhou evidência sobretudo pela automação dos sistemas, com fornecedores de equipamentos de corte, vinco, colagem e outros tipos de acabamento apresentando linhas de entrada com preços acessíveis, o que amplia o acesso a esse mercado. Outro fenômeno amplamente comentado foi a grande presença de fabricantes chineses, muitos com estandes próprios, máquinas em operação e, em alguns casos, representação local. Do ponto de vista gerencial, isso representa um duplo movimento. O custo-benefício competitivo é uma oportunidade real, mas a ausência de assistência técnica consolidada no Brasil, estoque de peças e suporte local pode gerar riscos operacionais significativos. O mercado gráfico brasileiro está diante de um novo cenário, no qual a decisão de compra não pode se basear apenas no preço de aquisição, mas no custo total de propriedade – incluindo manutenção, disponibilidade de peças e garantia.
A inovação, no entanto, não se restringe ao chão de fábrica. Diversos fornecedores de ERPs com inteligência artificial apresentaram soluções para precificação baseada em dados reais de custo, controle de ociosidade, aproveitamento da capacidade produtiva e automação de fluxos – do orçamento à entrega, com indicadores em tempo real. A competitividade atual é tanto tecnológica quanto gerencial, e gráficas que não adotarem sistemas integrados de gestão estarão em desvantagem, independentemente do porte.
A sustentabilidade, aliás, também foi um tema presente. Máquinas com menor consumo energético e redução de desperdício, insumos e matérias primas com certificações ambientais e iniciativas como o Movimento Impressão do Bem mostraram que responsabilidade socioambiental já é também um critério técnico e comercial.
Quanto aos diferentes portes de gráfica, a feira indicou caminhos distintos. Pequenas gráficas podem aproveitar o digital e os equipamentos de acabamento acessíveis para ingressar em nichos como personalização, comunicação visual e pequenas embalagens, com investimentos iniciais mais baixos. Médias gráficas encontram na especialização inteligente – escolher um ou dois segmentos, como embalagens, rótulos ou comunicação visual – a estratégia mais adequada, combinando offset e digital conforme a demanda. Grandes gráficas, por sua vez, seguem na direção da automação integrada e produtividade em escala, com máquinas offset de alta performance, sistemas de gestão avançados e pós-impressão automatizada.
Desta forma a ExpoPrint 2026 mostrou que o setor gráfico está vivo, investindo e confiante. O futuro pertence às gráficas que focam em serviços e diversificam tecnologias, que se abrem para novos mercados, que gerenciam com dados, que avaliam fornecedores globais pelo custo total e não apenas pelo preço, e que incorporam a sustentabilidade como critério de competitividade. Mais do que uma feira de equipamentos, a ExpoPrint 2026 foi um manual de atualização para quem quer continuar relevante nos próximos anos.
Neste contexto, a ABIGRAF/ABITEC promoverá em breve o evento Pós-ExpoPrint. A iniciativa traz a visão de especialistas, empresários e fornecedores que estiveram na feira, reforçando o compromisso da entidade com as constantes mudanças técnicas e tecnológicas do setor.
Por Lucimara Andrade

