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Morre Umberto Giannobile, vítima da COVID-19

Mercado Gráfico - 28/01/2021 - 12:08

Empresário e diretor da ABIGRAF-SP, SINDIGRAF-SP e da ABIEA faleceu no dia 27 de dezembro.

O setor gráfico paulista está de luto pela morte de um de seus mais ativos e participativos dirigentes. Umberto Giannobile foi internado em São Paulo em dezembro por conta da COVID-19 e infelizmente não resistiu.
Além de administrar a empresa que fundou, a Giankoy Autoadesivos, Giannobile participava ativamente das atividades representativas dos empresários gráficos. Era diretor da ABIEA – Associação Brasileira das Indústrias de Etiquetas Adesivas, da ABIGRAF–SP e do SINDIGRAF–SP. 

O presidente da ABIGRAF – SP, Sidney Anversa Victor, lamentou muito a perda do amigo. “Ele era uma companhia incrível, leve, divertido. Além de tudo era generoso, dividia o conhecimento e trabalhava realmente para o desenvolvimento do setor gráfico. Ele vai fazer muita falta para todos nós”. 

Umberto Giannobile acima de tudo amava a vida e a família. Só semeou alegria por onde passou. Em mensagem aos empresários do setor gráfico, o presidente do SINDIGRAF–SP, Levi Ceregato, citou Chico Xavier: “Na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e acima de tudo, importa o que fazemos de nós!”. Ceregato concluiu a mensagem fazendo questão de não se despedir “Não digo adeus, Umberto, mas um até breve”.

Abaixo, reproduzimos a última entrevista concedida pelo nosso querido Umberto Giannobile. Foi em outubro de 2019, para a jornalista Tânia Galluzzi, da Revista ABIGRAF. 

Dos parafusos às etiquetas
Tânia Galluzzi, Revista ABIGRAF.

O nome de Umberto Giannobile está tão vinculado ao segmento de rótulos e etiquetas que muitos não fazem ideia de que antes do papel e cola havia parafusos, geradores e altos-fornos. Por 20 anos, ele trabalhou em diversas empresas nas áreas de manutenção e controle de qualidade, aguçando seu olhar para o que viria depois. 

A trajetória profissional de Umberto Giannobile tem início em 1962. Aos 13 anos, Giannobile começa a estudar na Escola Senai Roberto Simonsen e em seguida a trabalhar nas Indústrias Matarazzo como torneiro mecânico. Esse era o caminho dos adolescentes para muitas famílias de imigrantes que chegavam ao Brasil no pós-guerra. Naturais de Campli, na província de Terano, região italiana de Abruzzo, os Giannobile (pai, mãe e quatro filhos), vieram para o Brasil em 1952 para trabalhar na lavoura de café, no Paraná. Depois da primeira geada, trocam o Sul pelo bairro da Vila Esperança, em São Paulo, e o patriarca consegue uma colocação na fábrica de papel Santa Therezinha (atual Santher). 

Em 1966, um anúncio no Estadão chama sua atenção. A Varig estava em busca de alunos do Senai para atuarem na manutenção de suas aeronaves. Competindo com dois mil inscritos, Umberto fica entre os 60 mais bem colocados e parte para o hangar da companhia aérea no aeroporto de Congonhas, depois de dois anos de estudo em tempo integral subsidiados pela empresa. Estuda inglês, aprofunda-se em mecânica de manutenção, e acaba se preparando para responder a uma outra mensagem no Estadão, desta vez da Embratel, que estava instalando as redes de micro-ondas no Brasil. Umberto almejava a independência financeira para se unir a Maria Raquel, portuguesa que chegou a São Paulo com a família em 1965. 

Depois de quatro anos, Giannobile troca a Embratel pela Cosipa, dedicando-se ao controle de peças entregues pelos fornecedores. Mais quatro anos, já como supervisor de qualidade, passa por cargos em empresas menores até entrar como sócio na CMPR, criada para fornecer válvulas. “Depois de seis meses não tínhamos vendido nem parafuso e decidimos partir para outro ramo, a produção de etiquetas.” Junto com Roberto Kohit Yassuda cria, em 1982, a Giankoy Autoadesivos. “Investimos em tipografia, serigrafia, flexo e corte e vinco e partimos para o mercado”, conta o empresário. Um ano e meio mais tarde a sociedade estava desfeita e Umberto segue com sua Giankoy ao lado de um de seus cunhados no bairro do Tatuapé. A empresa cresce e chega a ter 50 funcionários nos idos de 1990. 

Procurando respostas para os desafios de empreender no Brasil na década de 1980 (restrição às importações, poucas opções de matéria-prima, bitributação etc.), Umberto se aproxima primeiro da Associação Brasileira das Indústrias de Etiquetas e Rótulos Adesivos, Abiea, e depois da Abigraf-SP. Não demorou muito para que seu jeito expansivo e assertivo chamasse atenção e Giannobile passa a dedicar parte de seu tempo às questões setoriais.
O novo milênio traz para Umberto a responsabilidade de conduzir a Abiea por cinco gestões (2002/2004, 2004/2006 e 2016/2018 como presidente, e 2006/2008 e 2008/2010 como vice). “Meus esforços sempre foram no sentido de municiar os associados com informações para que pudessem tomar decisões acertadas. Por isso, trabalhei em prol das pesquisas de mercado, dos encontros nacionais, da realização de cursos e palestras e da participação em feiras.” Ele relembra com carinho do congresso realizado na Costa do Sauípe (BA) em 2004, que atraiu 400 profissionais e, mais recentemente, do estudo do mercado, lançado no final de 2018. Hoje, Umberto faz parte do conselho fiscal da Abiea e é diretor setorial da Abigraf. “O mercado não está fácil. Máquinas cada vez menos acessíveis, inadimplência alta, estamos o tempo todo brigando por preço.” Diante da comoditização das etiquetas, Umberto defende a proximidade com o cliente. “Temos de preservar o relacionamento.” 

Para enfrentar esses e outros desafios, Giannobile conta com seus três filhos: Ricardo, 48 anos, com quem divide a direção da empresa, André, 44, produção, e Camila, 37, no administrativo-financeiro. Com uma retaguarda dessas, fica mais simples esticar a viagem anual de Umberto e Raquel à Itália para desfrutar de uma das paixões do casal, a gastronomia. Saluti!

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